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Quarta, 20 de janeiro de 2021

Saúde

Sobe alerta das microrregiões de Dourados, Nova Andradina e Aquidauana

Pesquisadores destacam as dinâmicas geoespaciais entre os municípios interferindo na circulação do novo coronavírus

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“Adoença é responsável pela morte de mais de 128 mil pessoas no Brasil, 1.007 em Mato Grosso do Sul e desafia gestores públicos, testando a habilidade de prefeituras e governos de estado. Ações descoordenadas, dificuldades de gestão, aplicação e fiscalização das políticas públicas para o enfrentamento da doença e a baixa compreensão da população sobre os riscos e impactos na saúde ocasionados pelo novo coronavírus associados ao contexto da disseminação de Fake News sobre a Covid-19 contribuem para o aumento da gravidade do problema de saúde pública e coletiva”, explica a doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora em Comunicação, Saúde e Políticas Públicas da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Fernanda Vasques Ferreira. A fala da pesquisadora se refere ao aumento dos níveis de alerta em três microrregiões de saúde: Dourados, Nova Andradina e Aquidauana na análise de dados dos Boletins Epidemiológicos divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde no período de 22 de agosto a 5 de setembro.

Alta nos níveis de alerta

A análise dos dados apontou que, no período analisado, dos 33 municípios que compõem a macrorregião de saúde de Dourados, 14 registraram aumento nos índices de morbimortalidade da Covid-19. Desse total, sete municípios tiveram aumento nos níveis de alerta, conforme o Mapa 1: na microrregião de saúde de Dourados, Rio Brilhante e Fátima do Sul passaram do nível 2 para 3 e Dourados subiu do nível 3 para o 4, aumento significativo do índice foi registrado em Caarapó, embora tenha se mantido no nível de alerta 2; na microrregião de Nova Andradina, Ivinhema passou do nível 2 para 3, Batayporã e Nova Andradina passaram do nível 1 para o nível 2; e na microrregião de Ponta Porã, o município de Amambai passou do nível de alerta 1 para o 2 e Coronel Sapucaia registrou um aumento expressivo no índice, mantendo-se no nível de alerta 2.

Na macrorregião de Três Lagoas, Cassilândia teve um aumento de 1,11 no índice de morbimortalidade, aproximando-se do nível máximo, que exige intervenções radicais para prevenir casos graves, gravíssimos e mortes evitáveis. Inocência teve queda no nível de alerta, saindo do alerta 2 para 1. Já na microrregião de Corumbá, não houve alteração no nível de alerta: Corumbá e Ladário continuaram no nível 4.

Na macrorregião de Campo Grande, a grande maioria dos municípios se mantiveram estáveis ao analisar os índices e os níveis de alerta, seis desses com níveis elevados e elevadíssimo, conforme o Mapa 2. Quatro municípios tiveram queda nos níveis de alerta: Coxim diminuiu do nível de alerta 3 para o 2; e Pedro Gomes, Jardim e Guia Lopes da Laguna saíram do nível de alerta 2 para o 1. Na microrregião de Campo Grande, Sidrolândia teve redução do nível de alerta: saindo do 4 para o 3 e Campo Grande se manteve com nível de alerta elevadíssimo, registrando uma tímida redução no índice de morbimortalidade: a capital continua no nível de alerta 5 (o mais alto nível, que demonstra uma gravidade da doença, e registrou 12,28 de índice de morbimortalidade).

O município de Aquidauana se manteve estável tanto no nível de alerta (nível 4) quanto na taxa de letalidade (2,84). Miranda e Bodoquena voltaram a subir para níveis 2 e 4, respectivamente, enquanto os municípios de Nioaque e Dois Irmãos diminuíram do nível 3 para os níveis de alerta 2 e 1.

“Ao registrar 31 mortes e 1887 novos casos de Covid-19 em apenas 14 dias [22 de agosto a 05 de setembro] a macrorregião de saúde de Dourados retorna a um patamar de disseminação que já era evidente que iria ocorrer. Poucas ações foram tomadas e de forma tímida foram implementadas e fiscalizadas pelas autoridades sanitárias. Não há milagres em Saúde Coletiva, não se combate um pandemia com estratégias de curtoprazismos”, avaliou Archanjo da Mota.

O especialista em Geografia da Saúde também afirmou que “em uma pandemia os governos municipais, estaduais e federal devem empregar as medidas preventivas necessárias por mais tempo e articuladas com os municípios das micro e macrorregiões de saúde para manter um baixo nível de contágio para não contabilizar muitas mortes evitáveis, gastos elevados de recursos públicos e frear as dinâmicas populacionais e econômicas”.

Além do crescimento nos níveis de alerta, os pesquisadores estão preocupados com os impactos das aglomerações do feriado da Independência. “Percebemos um baixíssimo índice de distanciamento social e observamos que boa parte da população não cumpriu as medidas de prevenção para conter o vírus. No feriado, a população se esqueceu de que estamos em uma pandemia e que estamos perdendo vidas. Considerando tudo isso, teremos impactos bastante negativos para a saúde pública e coletiva daqui a 14 dias. Outubro também irá refletir o descuido das pessoas em relação à saúde da coletividade e a ausência do poder público na contenção à doença durante o feriado da Independência”, finalizou Fernanda Vasques Ferreira.

Fonte/Créditos: Jornal da Nova

Créditos (Imagem de capa): Trabalho da Vigilância em Saúde deve ser intensificado para os próximos 14 dias em razão das aglomerações no feriado da Independência / Imagens: Arquivo/Jornal da Nova

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